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Terra Blog

20.12.06

a gente vai se amar

Está chegando a hora da separação, mas...

a gente vai se amar

não demora por favor
que eu só quero te encontrar
pra te dar de volta
tudo o que eu sonhei
todo o tempo que eu passei a viver depois do fim
eu me abrigo nessa noite escura
as derrotas que eu embelezei
minhas ilhas flutuando pelo ar
e as histórias que eu ainda vou contar
e depois da escuridão
haverá um lindo sol
e a gente vai se amar


Lobão in Canções dentro da noite escura.

  • criado por  Gabriel Poeys criado por Gabriel Poeys
  • Postado em 18:54:28

05.11.06

Questões existenciais à parte.

Quando um ciclo termina, outro se inicia.

(perto do fim)

Sinto-me novamente com antes, mas
Nada tão intenso houvera se instalado
Em mim das últimas vezes. A dor da
Mudança é única, inesperimentável.

Acontece que, na circularidade das coisas,
Chega uma hora, que dentro de mim,
O emaranhado de informação começa
A se reciclar, a perder sua essência.

Choro, não um choro de certeza, mas um
Choro de dúvida, falta-me a clareza de outrora.
Sinto que estou morrendo lentamente. Ninguém
Chora a minha morte. Somente meus olhos.

Por mim e alheio a mim, minha vida
Me deixou, meu amor me sufocou
E deixou que eu me elevasse
Sem querer se elevar comigo

Domingo chove, e dúvida da segunda percorre
Prematuramente a minha destroçada alma. Hopeless.
Eu percorrera o caminho sozinho, sem motivo
Agora eu tenho companhia. Sempre a tive.

Príncipe de que? De quem? De onde?
O que sobra de mim e o que permanece
Para o próximo ciclo, a próxima viagem?
O amor, a alma, a dor, a calma, ou o nada. O zero!? 
                                                                               Outubro de 2006.

  • criado por  Gabriel Poeys criado por Gabriel Poeys
  • Postado em 13:29:41

29.10.06

Uma inútil poesia

Ouvidos nus

Nesses dias em que se faz com indiscutível marasmo
A prova das coisas, eu não as provo. Por pura indiferença.
É como se já soubesse o amargo gosto das desilusões.
E do emaranhado de sentimentos que nos amordaça
O grito, por vezes tão emergente, impossível de se segurar,
Inaudível a ouvidos nus. Sai como a descarga.
Levando com ela o que não presta.

Nada presta. Não vale nada esperar a valorização das coisas.
È vã toda espera que não a faça perceber que se é maior que ela.
Mas a espera continua. Por que este é o seu dever, se fazer esperar.


Estamos todos nus, despidos de nós mesmos e choramos.
Encharcadamente até que nossos olhos secam, nossos ouvidos
Surdem, nossa malha alargue, nossa alegria cesse. 
                                                        Rio de Janeiro, 01 de Julho de 2006.
  • criado por  Gabriel Poeys criado por Gabriel Poeys
  • Postado em 10:20:55