29.10.06
Uma inútil poesia
Ouvidos nus
Nesses dias em que se faz com indiscutível marasmo
A prova das coisas, eu não as provo. Por pura indiferença.
É como se já soubesse o amargo gosto das desilusões.
E do emaranhado de sentimentos que nos amordaça
O grito, por vezes tão emergente, impossível de se segurar,
Inaudível a ouvidos nus. Sai como a descarga.
Levando com ela o que não presta.
Nada presta. Não vale nada esperar a valorização das coisas.
È vã toda espera que não a faça perceber que se é maior que ela.
Mas a espera continua. Por que este é o seu dever, se fazer esperar.
Estamos todos nus, despidos de nós mesmos e choramos.
Encharcadamente até que nossos olhos secam, nossos ouvidos
Surdem, nossa malha alargue, nossa alegria cesse.
Rio de Janeiro, 01 de Julho de 2006.
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criado por Gabriel Poeys
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